Investigador da unidade SOL4R participa no 1.º Fórum Luso-Espanhol sobre Hidrogénio Verde

 

O 1.º Fórum Hispano-Português sobre Hidrogénio Verde destacou a necessidade de reforçar os mecanismos de apoio à procura como condição essencial para impulsionar o desenvolvimento deste setor emergente. O encontro, realizado na terça-feira, 10 de março, em Sines (Portugal), no âmbito do projeto europeu FUTURETECH_H2, sublinhou igualmente a importância da colaboração ibérica para afirmar a Península Ibérica como uma referência europeia na produção deste vetor energético.

O Centro de Artes de Sines acolheu este primeiro fórum, que reuniu mais de uma centena de especialistas, empresas, instituições e agentes do setor energético de Espanha e Portugal. O evento assinalou também o momento final do projeto europeu FUTURETECH_H2, uma iniciativa transfronteiriça destinada a reforçar a cadeia de valor do hidrogénio verde nas regiões do Alentejo e da Andaluzia.

O fórum constituiu não apenas um espaço de análise das oportunidades associadas a este vetor energético, mas também um apelo claro à cooperação ibérica para liderar a produção, utilização industrial, distribuição e armazenamento de hidrogénio renovável na Europa. Os participantes salientaram que Espanha e Portugal dispõem de uma oportunidade histórica, reunindo uma das plataformas mais limpas e competitivas do continente para o desenvolvimento do hidrogénio verde. Neste contexto, foi destacado que a colaboração entre a Andaluzia e o Alentejo poderá posicionar a Península Ibérica como líder incontestável na produção de hidrogénio para o mercado europeu.

Aumentar a procura e garantir estabilidade regulatória

Ao longo do fórum, foi enfatizada a necessidade de ativar programas de apoio dirigidos ao consumidor final, considerados fundamentais para gerar procura efetiva e sustentar o crescimento da oferta de hidrogénio verde. Os intervenientes destacaram ainda que o desenvolvimento do setor exige um quadro regulatório estável, segurança económica e preços competitivos da eletricidade renovável.

Foram igualmente abordadas algumas das perceções mais comuns associadas a esta tecnologia, nomeadamente a questão do uso da água. Os especialistas sublinharam que a produção de hidrogénio pode recorrer a águas residuais ou industriais, não competindo necessariamente com os recursos destinados ao consumo humano.

Cooperação e inovação energética

As sessões de trabalho abordaram temas como a descarbonização industrial, o desenvolvimento de novas infraestruturas energéticas, a formação especializada e os projetos estratégicos no setor. Estes temas foram debatidos em diversos painéis temáticos que reuniram representantes institucionais, empresas e centros de conhecimento de ambos os países.

Entre estes painéis destacou-se o dedicado ao tema “Competências, Emprego e Formação para a Transição Energética”, que contou com a participação de Diogo Canavarro, investigador da unidade SOL4R – Solar Radiation and Resources Research Group da Universidade de Évora. A sua intervenção integrou a discussão sobre as necessidades de qualificação e formação de recursos humanos para apoiar o crescimento da indústria do hidrogénio verde e, de forma mais ampla, a transição energética.

A sessão de abertura contou com a presença de Álvaro Beijinha, presidente da Câmara Municipal de Sines; João Grilo, presidente da ADRAL; Roberto Grilo, vice-presidente da CCDR Alentejo; e Carlos Jacinto Marín, diretor-geral da Federação Empresarial Metalúrgica de Sevilha (FEDEME), que destacaram a importância do trabalho conjunto num projeto partilhado de transição energética.

A conferência inaugural foi proferida por Pedro do Ó Ramos, presidente da APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve.

Projetos e iniciativas em destaque

Entre os projetos apresentados, destacou-se o Vale do Hidrogénio Verde da Andaluzia (Moeve), pelo seu impacto na cadeia de abastecimento local e pela sua capacidade de atrair empresas e talento. Foram igualmente apresentados avanços de empresas como a EVO, que desenvolveu o primeiro terminal de tratores movidos a célula de combustível, atualmente em fase piloto no porto de Algeciras, com uma autonomia de até 16 horas.

Formação: pilar da industrialização do hidrogénio

Uma parte significativa do programa foi dedicada às necessidades de formação associadas ao desenvolvimento do hidrogénio verde. Embora a Andaluzia já esteja a trabalhar na adaptação dos seus currículos educativos, os especialistas salientaram a necessidade de avançar para uma formação mais especializada, incluindo perfis técnicos, programas de formação profissional dual e um maior número de estágios em empresas.

Instituições como a EFP/CTE, o Instituto Politécnico de Portalegre, a Universidade de Évora e a AICIA partilharam a sua perspetiva sobre como reforçar a qualificação de recursos humanos, com vista a apoiar o tecido empresarial e garantir a disponibilidade de profissionais especializados.

Encerramento com visita técnica

O fórum terminou com uma visita técnica à refinaria da Galp em Sines, uma das infraestruturas energéticas mais importantes do país e um local estratégico para o desenvolvimento de projetos de hidrogénio verde em Portugal. Esta atividade permitiu aos participantes conhecer de perto a infraestrutura existente, os projetos em curso e o potencial industrial da região para liderar iniciativas de transição energética.

Projeto FUTURETECH_H2

O consórcio do projeto FUTURETECH_H2, criado em novembro de 2023, integra seis parceiros das regiões do Alentejo (Portugal) e da Andaluzia (Espanha). O projeto é cofinanciado pela União Europeia através do Programa Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027 e encontra-se atualmente na sua fase final.

Participam no projeto o Centro Avançado de Tecnologias Aeroespaciais (CATEC), a ADRAL, o Instituto Politécnico de Portalegre, a Universidade de Évora, a Fundação Nao Victoria e a FEDEME, entidade líder da iniciativa.

O projeto tem como objetivo desenvolver a cadeia de valor do hidrogénio verde nesta área transfronteiriça, promovendo e divulgando as capacidades deste setor energético como uma das indústrias do futuro. O FUTURETECH_H2 dispõe de um orçamento total de 1.366.564,90 euros e será desenvolvido até 31 de março de 2026.

 

Entre as iniciativas realizadas destaca-se o simulador digital para a produção de hidrogénio verde, reconhecido pelo Interreg Europe como um caso de sucesso. Também merece destaque o Roadshow Transfronteiriço, realizado em cidades como Sevilha, Huelva, Algeciras, Sines e Évora, que permitiu a mais de 700 participantes, entre estudantes e público em geral, conhecer o potencial do hidrogénio verde através de demonstradores tecnológicos apresentados em cada uma das cinco paragens.

Publicado em 16.03.2026